A equipe não pede demissão da empresa. Pede demissão do líder, principalmente dos impulsivos e suas reações nos momentos de crise.
Equipes não abandonam empresas, abandonam líderes impulsivos que perdem o controle nos momentos que mais exigem equilíbrio.
Sinta tudo. Mas jamais entregue o comando da sua vida ao impulso, principalmente quando você está na liderança do time em momentos de crise e resultados ruins.
A liderança reativa que está adoecendo as equipes
O Brasil é o 2º país no mundo com mais casos de Burnout, segundo a OMS. 72% dos brasileiros estão com níveis elevados de stress, segundo a ISMA (International Stress Management Association). Não é por falta de cursos, de MBA, de ferramentas dos seus líderes. É por excesso de reatividade.
Confundimos liderança forte com liderança reativa. Achamos que precisamos decidir no calor da emoção, cobra no impulso, é sinal de pulso firme. Cobrar resultados e prazos e atender demandas excessivas, vai virar o jogo e trazer resultados positivos.
Não é. É falta de inteligência emocional. O líder sem controle emocional não lidera. Ele contamina. Equipe com líder ansioso, se torna ansiosa. Equipe com líder que explode aprende a se esconder e a omitir. Equipe com líder exausto, normaliza o esgotamento. Desde muito cedo somos doutrinados a reprimir nossas emoções, o líder não deve demonstrar sentimentos diante da equipe, deve ser um negociador implacável, deve tomar decisões difíceis sem pestanejar! Deve fazer o que é melhor para a empresa! Essas são frases que escutamos desde muito cedo no exercício da liderança e desde a faculdade e cursos de liderança. Porém, isto tem feito com que muitos líderes já não saibam mais nominar seus sentimentos e muitas vezes literalmente “explodem” ou “surtam” diante da equipe em situações estressantes ou inesperadas.

Inteligência Emocional não é ser zen. É ser dono de si, é saber se autorregular em momentos de pressão. Se trata de autoconhecimento e saber dos seus limites corporais e mentais.
Na prática, o que separa o líder que sustenta e desenvolve o time do líder que adoece, são 3 habilidades:
- Autoconsciência: Nomear para não ser dominado
Líderes em burnout não sabem o que sentem. Só sabem que estão no limite. A pergunta muda tudo:
"Isso que estou sentindo agora é raiva ou medo de falhar? É cansaço ou frustração?" Quando você nomeia a emoção, você a tira do cockpit e coloca de volta na poltrona de passageiro. - Autorregulação: O espaço entre o estímulo e a resposta
Viktor Frankl dizia:
"Entre o estímulo e a resposta, existe um espaço. Nesse espaço está nosso poder de escolher." 90 segundos. É o tempo químico que uma emoção precisa para atravessar seu corpo. O líder inteligente cria esse espaço. Não responde email
com raiva. Não dá feedback ferido. Ele respira e escolhe. - Regulação do Clima: O líder é o termostato, não o termômetro
O termômetro só reflete a temperatura. O termostato DEFINE a temperatura.
Na turbulência, seu time não precisa de alguém que grita mais alto. Precisa de alguém que baixa a temperatura e diz: "Ok, estamos com medo e com raiva. É legítimo. E agora, qual é a nossa próxima melhor decisão?"
Como isso evita o stress e o burnout?
Burnout não vem de trabalhar muito. Vem de trabalhar muito tempo em estado de alerta emocional, com o cortisol sempre alto, pilotado pelo Medo e pela Raiva. Liderar com inteligência emocional é gestão de ENERGIA, não só gestão de tempo. Minha dica de protocolo antes de qualquer decisão difícil:
- O que estou sentindo agora? (nomeei seus sentimentos)
- Essa emoção precisa ser ouvida ou OBEDECIDA? (Ela é passageira, não piloto)
- O que o líder que eu QUERO SER faria agora? (Não entregue o comando ao impulso)
No final, sua equipe não vai lembrar exatamente o que você falou naquela reunião de crise. Mas ela nunca vai esquecer Como ela SE SENTIU ao seu lado na turbulência.