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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Craque não faz time. Líder faz

Ter os melhores talentos não garante resultado: descubra por que o verdadeiro líder é quem faz o time funcionar de verdade.

02/10/2026 10 leituras
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Craque não faz time. Líder faz

Em 2000, o Real Madrid resolveu fazer um teste: comprar os maiores jogadores do mundo e juntar todos, sem se preocupar muito com o resto. Entre 2000 e 2003 chegaram Figo, Zidane, Ronaldo e Beckham. Só para juntar esses quatro, o clube gastou cerca de 215 milhões de euros. No papel, era imbatível. Na prática, nem tanto. 

O time ganhou a Liga em 2001 e 2003 e a Champions em 2000 e 2002. Mas depois que o elenco ficou completo, a conta não fechou: de 2003 a 2006 o Real não ganhou nenhum título importante, e isso custou o cargo do presidente. Em 2004, perdeu a final da Copa do Rei para o Zaragoza por 3 a 2, em um jogo que a Espanha apelidou de Galacticidio. 

O que deu errado?

Os craques eram ótimos. Faltou liga. Sem o volante que protegia a defesa, muitos astros não queriam voltar para marcar. O Makélélé, que fazia esse trabalho, foi embora para o Chelsea em 2003. E o técnico Del Bosque, que sabia administrar os egos do vestiário e manter a cultura do grupo, também saiu naquele verão.  Repare: o time não perdeu talento. Perdeu quem fazia o jogo funcionar. 
   
O Real tinha atacante de sobra e ninguém para fazer o trabalho que não aparece na foto. Isso acontece em empresa o tempo todo. Contrata-se o melhor vendedor, o melhor designer, o melhor gerente, todos com salário alto e currículo brilhante. Seis meses depois, o resultado não vem. Cada um joga para si, ninguém passa a bola, e a reunião vira disputa de quem tem razão. 

Aqui entra o papel do líder.

Montar a escalação é a parte fácil. O difícil é perceber quando o time não se encaixou, e agir antes que o placar mostre. Cabe ao líder saber quem precisa de espaço, quem precisa de freio e quem está ali para fazer o trabalho invisível. 

Na rádio, convivi com um dos melhores exemplos disso: o Emílio Surita, da Jovem Pan. Ele conduzia uma equipe cheia de gente com personalidade forte e fazia o oposto do que o Real fez. Não tinha ego atrapalhando. Sabia o momento de passar a bola, para quem passar, e deixava o outro brilhar. 

Resultado: 

era golaço atrás de golaço. Não por acaso, o Pânico continua entre os programas de maior faturamento da mídia. Time bom não é o que tem os melhores nomes. É o que sabe jogar junto, e alguém precisa garantir isso. Quando foi a última vez que você olhou para o seu time e se perguntou se ele é uma equipe ou só uma lista de craques?

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