Da preparação de base ao C-Level
Todo mundo aplaude o Endrick na Seleção. Mas poucos querem investir na base para a formação de jovens talentos. Isto vale para o futebol. E vale para as empresas.

165 gols em 169 jogos na base, anos de treino no terrão, ônibus lotado, chuteira apertada, dificuldades financeiras. Só depois ele que foi pro profissional fez 21 gols no Palmeiras e foi vendido ao Real Madrid.
Recentemente, Roberto Carlos e Ronaldo Fenômeno confirmaram a compra do Inter de Limeira. O plano? Exatamente esse: desenvolver e encontrar talentos na base. Um interesse genuíno na próxima geração.
Na sua empresa é igual. Você quer o executivo pronto, o Vini Jr. já lapidado pelo Real Madrid. Mas não tem coragem de formar no futsal.
O Raphinha não virou craque na Europa. Virou na Restinga, no futsal da Vila do João em Porto Alegre, onde a quadra é pequena e você tem que decidir em meio segundo. Onde na sua empresa as pessoas aprendem a decidir rápido? Ou você joga o jovem talento direto no campo grande e torce para dar certo?
O Bruno Guimarães não foi formado no Real Madrid. Saiu do Audax. Alisson ficou 10 anos no Inter. Paquetá ficou 10 anos no Flamengo.
Sua empresa tem um Audax? Tem 10 anos de paciência? Ou você tem pressa de contratar pronto, paga três vezes mais, reclama que não tem aderência à cultura e demite em seis meses?
Juntar um bando de talentos prontos no mesmo time não faz deles uma seleção. A brasileira provou isto nas últimas Copas.
O time tem que ter intimidade para combinar os passes, tem que ter um propósito. Isto não se constrói em 6 meses. Vem da base, da construção lenta da liderança, onde há espaço de crescimento e alegria de trabalhar juntos, celebrando as conquistas e reconhecendo o esforço coletivo.
Eu tive o privilégio de trabalhar por 20 anos em uma empresa que investe no desenvolvimento dos seus talentos de base. Nós gestores sempre valorizamos os programas formação: Estágio, Trainee e jovem aprendiz. Todos estes programas foram celeiros dos novos talentos e da nova geração de líderes.
A pergunta honesta é: Onde está o terrão da sua empresa? Quem você está levando para treinar às 6h da manhã? Quem são os técnicos dispostos a liderar o desenvolvimento do time?
Se a resposta for ninguém, para de reclamar de falta de talento no mercado e imputar o problema à nova geração. O problema não é o mercado. É que você não está investindo tempo, dedicação e recursos financeiros na formação da sua base.
