Por que muitos profissionais preferem "passar a bola" em vez de assumir a liderança?
Comecei no mundo corporativo aos 18 anos. Aos 20, ainda cursando o segundo ano de Administração, assumi o desafio de coordenar minha primeira equipe. Toda a equipe era mais velha e mais experiente do que eu. Por que me escolheram? Porque os demais preferiam evitar a liderança, havia o receio da rejeição, do peso de tomar decisões impopulares ou da pressão de virar "vitrine" para os outros. Mesmo sem me sentir 100% pronto, eu tinha sonhos grandes, responsabilidades pessoais e decidi encarar o desafio. Busquei aplicar na prática o que aprendia na faculdade, e a equipe foi extremamente generosa comigo porque demonstrei humildade para pedir apoio.

Essa resistência em assumir o protagonismo não acontece só nas empresas. Vemos isso nos maiores palcos do mundo, como no futebol. Recentemente, vimos discussões sobre liderança na Seleção Brasileira. Casos em que a responsabilidade de momentos decisivos, como a cobrança de pênaltis, acaba dividida ou delegada. Independentemente de táticas ou decisões de comissão técnica, grandes líderes são cobrados pelo protagonismo. Como bem disse Ronaldinho Gaúcho, esperava-se mais de quem já tem história e experiência no esporte como no caso do Vini Junior.
Olhando para os números de cobranças em competições importantes, vemos o peso da responsabilidade:
- Bruno Guimarães: 8 cobranças, 7 conversões (78% de aproveitamento). Perdeu uma chance chave, mas estava lá.
- Vinicius Junior: 11 pênaltis importantes, 8 convertidos (72% de aproveitamento).
O futebol, assim como o mercado, pune a omissão. Gabriel Jesus usou uma frase perfeita para fases decisivas de mata-mata: "É a fase em que os adultos são separados das crianças". Faltou maturidade para superar a adversidade, algo que sobrou, por exemplo, na Argentina de Lionel Messi, que buscou uma virada heróica contra o Egito após os 80 minutos de jogo. Eles foram "adultos" e se classificaram para as quartas de final.
Qual é o grande aprendizado disso tudo para a nossa carreira?
Se nos omitirmos de "bater os pênaltis" que surgem na nossa trajetória, perderemos oportunidades únicas de crescimento. Ninguém nasce pronto para a liderança. O desenvolvimento vem de uma combinação de três fatores:
- Autoconhecimento: Entender suas forças e admitir suas fraquezas.
- Capacitação contínua: Buscar a teoria (graduação, cursos, MBAs, etc.)
- Experiência prática: Essa só se adquire quando você aceita ir para a marca do pênalti e assumir o risco e a responsabilidade.
Não me arrependo de ter assumido a liderança cedo. Errei, acertei, mas mudei o patamar da minha carreira porque não tive medo de ter a bola nos pés. Ainda bem que tomei esta decisão, pois sou péssimo no futebol, só um torcedor fanático como todo brasileiro.
E você? Tem chamado a responsabilidade para si ou tem passado a bola no seu ambiente de trabalho?
